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ALIMENTAR NÃO É SOMENTE NUTRIR

April 28, 2017

   

 

 

 

   A alimentação faz parte do meu cotidiano de uma forma especial. Desde criança vivencio situações envolvendo mesa cheia de gente e de boa e farta comida. Valorizo a comida culturalmente misturando tendências e costumes culinários de forma lúdica e prazerosa. Inclui-se, nessa dinâmica, reunir as pessoas para comer, decidir o cardápio, comprar os ingredientes, cozinhar, servir, comer e falar sobre a comida e sobre novas receitas. Ter a oportunidade de compartilhar a alimentação com pessoas que me são caras é fundamental na minha vida.  

    Por esse motivo, na minha formação profissional, aprofundei os estudos para melhorar o atendimento aos pacientes com dificuldades na alimentação. Em 1997 conheci o Dr Rodolfo Castillo Morales, médico reabilitador argentino, criador de um Conceito de Reabilitação (CCM) que modificou ainda mais o meu olhar. Ele observou que os pacientes neuroatípicos nem sempre participavam das atividades sociais, principalmente quando ocorriam fora de casa. Era raro encontra-los em lugares públicos. Mesmo em casa, comiam sozinhos ou somente com seus cuidadores, privados dessa atividade diária tão rica, durante a qual as famílias se reúnem, discutem, brincam, comemoram e resolvem seus problemas cotidianos, compartilhando dos prazeres não só da mesa, como da vida. Mesmo as crianças sem desvios neurológicos apresentavam problemas com a alimentação em função da diminuição do convívio familiar, pela falta de tempo das mães inseridas no mercado de trabalho.  

    Segundo Dr Castillo, a alimentação é um processo que vai além de dar e receber uma substância que serve para nutrir o organismo. É um aprendizado que vai desde o sentido da independência até o social cultural, mudando de geração em geração. É um momento rico não só por satisfazer uma necessidade básica de nutrir o organismo, mas por envolver uma série de outros aspectos tão importantes quanto essa necessidade vital. 

    No CCM a alimentação é considerada como uma das portas de entrada para o estabelecimento da comunicação e por ocorrer várias vezes ao dia pode ser utilizada como treino em casa. Muitos dos pacientes com alterações neuromotoras são limitados na sua comunicação oral, então é necessário observar, identificar e interpretar as respostas dos pacientes como vocalizações, gestos, olhares, expressões faciais, movimentos corporais, choro, entre outros, como códigos de comunicação. Eles deverão ser coletados e utilizados como um repertório basal para depois poderem ser gradativamente ampliados.  

    Comer é um ato social e o fato da pessoa estar entre os familiares, cria uma situação mais estimulante e ajuda a integrar as regras sociais da alimentação, considerando os costumes e a cultura de cada um. O local onde a pessoa é alimentada assim como a quantidade e qualidade dos estímulos existentes nesse ambiente devem ser controlados, pois poderão interferir no ato da alimentação. Desligar a TV, por exemplo, é fundamental! 

    Esse Conceito considera o ser humano como um todo, relacionando sempre o Complexo orofacial com a postura corporal tanto em repouso como em atividade funcional. Portanto para os pacientes com dificuldades, faz-se necessário elaborar uma analise minuciosa, observando os padrões de movimento do individuo, seu tônus corporal, atividades compensatórias ou anormais de cabeça, pescoço, cintura escapular, membros superiores, cintura pélvica, quadril, pés e relação no sistema motor oral e respiratório. 

    Deve-se também observar a inclinação e altura do mobiliário utilizado, os apoios corporais, principalmente dos pés, se as posturas são fixas ou funcionais permitindo variabilidade. O corpo da mãe dá contenção e segurança, e o afeto transmitido pelo contato corporal manterá o tônus muscular indiretamente.  

    Os nossos sentidos funcionam integrados para captar a sensação global e complexa das situações a que somos expostos diariamente. As percepções: visual, auditiva, tato, gustação, olfato e propriocepção devem ser avaliados em relação aos receptores nervosos envolvidos, pois o paciente necessita dessas informações para adquirir os conhecimentos relativos a cada alimento que será ingerido.     

    Quando a criança se alimenta por períodos extensos com a mamadeira, ou quando o meio não proporciona a experimentação de sabores e texturas diversas, poderá haver problemas no funcionamento do sistema motor oral, que manterá um padrão imaturo, com consequências importantes na alimentação. 

    O fator nutricional por sua vez se completa com os demais e envolve conhecimento sobre: dieta, horários, quantidade e qualidade dos alimentos ingeridos, hidratação, ritmo, tempo de jejum e o controle do peso do paciente. 

    Enfim, se a família e cuidadores tiverem essa visão e modificarem sua conduta, poderão melhorar e muito a qualidade de vida desses pacientes, sejam eles adultos ou crianças. 

    Os mesmos princípios valem também para orientação das famílias sobre como conduzirem a alimentação das suas crianças, proporcionando experimentação, vivências, participação da família, ambiente apropriado, independência, rotina, de forma a se transformar num ritual prazeroso. 

    Felizmente sempre é tempo de refletir e melhorar a qualidade da nossa vida compartilhando uma deliciosa refeição. Bom apetite! 

Selma Maria Domingues El Hage 

Fonoaudióloga – Crfa 2 - 4019  

Especialista em Motricidade Orofacial 

Aprimoramento em Neurociências e Aprendizagem  

Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem 

Aprimoramento em Fala e Linguagem 

Instrutora do Conceito de Reabilitação Corporal e Orofacial Castillo Morales 

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